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Consultoria de Qualidade: como ISO, ESG e tecnologia estão mudando a gestão nas empresas

Entenda como a consultoria de qualidade evoluiu no Brasil, quais são os desafios mais comuns na implantação de ISO e por que temas como ESG, LGPD e IA passaram a influenciar a forma de auditar, padronizar e melhorar processos.

Durante o episódio do “Conexões para Crescer”, do oHub, com Wellington Melolima, da empresa OWLS Mentoring, mergulhamos no universo da consultoria de qualidade.

A busca por certificações e sistemas de gestão deixou de ser uma etapa de compliance e passou a ocupar um lugar estratégico com redução de retrabalho, controle de riscos, melhoria contínua e, principalmente, consistência operacional. Como o próprio Wellington resume, “a qualidade é estratégica e a maturidade de mercado aparece quando a empresa entende isso além do certificado”. Ao mesmo tempo, ainda existe ruído entre o que a norma propõe e o que a empresa interpreta. “Existem as empresas que querem realmente mudar a gestão, e as empresas que querem o certificado na parede”, afirma Melolima. Essa diferença muda desde o engajamento da liderança ao jeito de medir resultados.

O que mudou na gestão da qualidade e nas certificações ISO no Brasil

Nos últimos anos, o mercado foi impactado por dois movimentos fortes: a pandemia e a expansão do número de organismos certificadores. Wellington observa que, enquanto algumas atividades migraram rapidamente para o digital, muitos profissionais da qualidade permaneceram na linha de frente exigindo revisão de rotinas, protocolos e prioridades. “A pandemia mexeu com a questão da qualidade tendo que repensar todas as etapas, inclusive protocolos”, afirma.

Ao mesmo tempo, houve um aumento expressivo de certificadoras no país, o que ampliou a oferta e a competição. Na prática, isso pode facilitar o acesso, mas também eleva a necessidade de discernimento. Nem toda proposta garante profundidade técnica, e nem toda certificação, sozinha, resolve problemas de gestão.

O ponto central é que a ISO, especialmente a ISO 9001, costuma ser a porta de entrada por ser uma “norma mãe”, como Melolima descreve. Ele reforça que o objetivo real não deveria ser cumprir item, e sim transformar rotina em processo gerenciável. “As empresas mais maduras buscam padronização, otimizar processos e também a lucratividade”, enfatiza.

Desafios reais na implantação: liderança, cultura e o mito da burocracia

Quando a implementação emperra, raramente é por falta de ferramenta, é por falta de alinhamento no topo. Para Wellington, o maior desafio é fazer a alta direção compreender que qualidade não é departamento, é direção de negócio: “O maior desafio é fazer com que a alta direção entenda que a qualidade é estratégica.”

A resistência costuma aparecer na frase clássica do “sempre fiz assim”. E, nesse cenário, surge a confusão entre qualidade e burocracia. Melolima recorda que a ISO deixou de ser prescritiva há anos, ou seja, ela não pede carimbo, mas sim critério, evidência e coerência entre o que se diz e o que se faz.

É neste momento em que cria-se lacuna entre norma e prática. A empresa se assusta com termos e requisitos, mas muitas vezes já executa parte do que é exigido, só não mede, não registra e não controla. Por isso, em vez de “mais documento”, o esforço deveria ser criar rotinas simples, indicadores úteis e responsabilidades claras, sem transformar o sistema em um cartório.

Tendências e tecnologia: ISO 27001, ESG e a chegada da IA ao dia a dia

Entre as normas com maior destaque recente, Wellington aponta a ISO 27001 (segurança da informação) como uma das que mais vêm “aparecendo”, muito conectada ao ambiente de LGPD e riscos digitais. Ele também reforça que ISO 9001, 14001 e 45001 seguem como demandas constantes, qualidade, meio ambiente e saúde e segurança continuam no núcleo do sistema de gestão.

No horizonte, porém, a pauta ESG tende a ganhar ainda mais tração. Wellington sinaliza um movimento de certificação relacionado ao tema e faz uma correlação didática: ambiental se conecta com 14001, social com 45001 e governança com 9001. Mesmo sem depender de uma para outra, essa leitura ajuda a empresa a estruturar prioridades e evitar iniciativas soltas.

E tem um terceiro fator mudando o jogo: tecnologia e inteligência artificial. “A tecnologia vai mudar tudo na qualidade, mas com cuidados”, prevê Melolima. A auditoria, por exemplo, segue exigindo julgamento humano: “A norma só pode ser auditada por ser humano que tenha subjetividade.” A IA (Inteligência Artificial) pode acelerar rascunhos e análises, mas a decisão e a responsabilidade ainda precisam de critério, contexto e verificação.

Conclusão

A consultoria de qualidade ganhou um papel mais estratégico: não se trata apenas de “implantar ISO”, e sim de transformar processos em gestão com rotina, evidências, indicadores e liderança presente. Como afirma Wellington, “a qualidade é uma responsabilidade de todos”, e só funciona quando sai do discurso e entra no cotidiano.

Ao mesmo tempo, o mercado ainda convive com atalhos com fórmulas prontas, foco exclusivo no certificado e interpretações equivocadas sobre burocracia. O caminho mais consistente é simplificar sem perder rigor, portanto padronizar o que importa, medir o que muda resultado e tratar auditoria como ferramenta de melhoria, não como susto.

Por fim, as tendências (27001, ESG, digitalização e IA) aumentam a cobrança por maturidade. Quem enxerga qualidade como vantagem competitiva, e não como exigência, tende a navegar melhor as revisões de norma, os riscos e as mudanças tecnológicas que já estão redefinindo o que é excelência na prática.

Sobre Luiza Guimarães

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