A consultoria em logística tem se tornado peça-chave para empresas que atuam ou desejam atuar no comércio exterior. Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica, transformação digital e alta complexidade tributária, contar com visão estratégica deixou de ser diferencial e passou a ser questão de sobrevivência competitiva.
Este conteúdo pode ser conferido na íntegra no episódio do podcast “Conexões para Crescer”, do oHub, que contou com a participação de Willy Lo, CEO da WhiteShark Express, especialista em logística internacional com atuação estratégica.
A logística internacional vive uma fase de amadurecimento acelerado. Deixou de ser apenas uma etapa operacional de “embarcar e desembarcar” para se tornar um fator estratégico que influencia margem, previsibilidade e competitividade em mercados globais cada vez mais instáveis.
Na prática, isso significa que a decisão de como estruturar importações e exportações hoje envolve muito mais do que escolher o frete mais em conta. Entram no radar temas como digitalização, gestão de risco, qualidade de dados, exigências regulatórias e capacidade de responder rápido a mudanças de rota, preços e prazos.
Como resume Willy Lo, “passamos do cenário de apagar incêndio, para uma torre de controle”. Para ele, a consultoria ganha relevância quando ajuda a enxergar o processo de ponta a ponta com visibilidade, governança e decisões baseadas em informação.
A nova logística internacional: digitalização e o “novo normal” do comércio exterior
Nos últimos anos, uma transformação decisiva foi a digitalização de documentos e fluxos. “A mais marcante foi a digitalização de documentos, como o Portal Único e processos eletrônicos”, diz Lo. Esse avanço reduz papel, encurta ciclos e melhora rastreabilidade, mas também aumenta o rigor, já que erros aparecem mais rápido e custam mais caro.
A pandemia consolidou uma mudança de mentalidade: não dá para operar assumindo estabilidade. Ao forçar rupturas nas cadeias de suprimentos, ela evidenciou a necessidade de resiliência e alternativas, rotas, parceiros e planos de contingência. Segundo Willy, a lição foi aprender que depender de uma única rota ou de um único fornecedor pode colocar toda a operação em risco.Depois disso, o setor entrou em um ambiente de volatilidade contínua. Conflitos internacionais, inflação global e mudanças de rotas marítimas impactam custos e prazos, e o frete passou a variar com rapidez. “O mercado agora está operando em preços dinâmicos a cada semana”, afirma Willy, reforçando que a previsibilidade virou ativo e não premissa.
Consultoria em logística: por que o barato pode sair (muito) caro
Existe uma lacuna recorrente entre o que empresas contratam e o que elas realmente precisam para operar bem no comércio exterior. Willy Lo aponta que, com frequência, a escolha é orientada apenas por custo: “muitas empresas buscam o mais barato, o frete mais barato”. O problema é que economias pequenas no início podem se transformar em custos grandes mais adiante.
O ponto central é que logística internacional não é só transporte: envolve documentos, conformidade, tributos, prazos e riscos. Quando a operação falha em algum desses pontos, o prejuízo tende a multiplicar com atrasos no desembaraço, armazenagem, multas e perda de janela comercial. Por isso, Willy resume sem rodeios que o barato sai caro, muito caro.Nesse cenário, a consultoria aparece como abordagem preventiva, aquela que antecipa problemas antes que eles travem a carga ou corroem a margem. Em vez de esperar o “incêndio”, o foco passa a ser engenharia de processo: dados corretos, planejamento tributário e logístico, escolha de rotas mais resilientes e governança para responder rapidamente quando o ambiente muda.
Desafios do Brasil e o papel de dados, IA e compliance
No Brasil, a complexidade do ambiente aumenta o peso de planejamento e conformidade. Willy Lo destaca gargalos estruturais que afetam o desempenho. “O maior gargalo do Brasil é a infraestrutura portuária e rodoviária”. Quando a infraestrutura não acompanha o volume de demanda, a operação fica mais cara, mais lenta e mais imprevisível.
Além disso, a complexidade tributária e a exigência de compliance tornam a margem mais sensível a erros de cadastro e classificação. O próprio entrevistado resume com humor e realidade: “o Brasil é muito complexo, ninguém entende. Nem a gente”. Isso ajuda a explicar por que decisões técnicas, como classificação fiscal (NCM) e documentação, têm impacto direto em custo final e risco jurídico.Tecnologia e dados entram como resposta a esse ambiente. “ O futuro vai ser a hiper automação com a inteligência artificial”, afirma Lo que também defende que a meta não é apenas rastrear: é prever. Para ele, IA pode apoiar classificação fiscal ao sugerir NCMs, reduzir erros humanos e ajudar na logística ao calcular rota considerando tempo, custo e riscos, além de analisar padrões para antecipar atrasos e probabilidades de parametrização.
Conclusão
A consultoria em logística está deixando para trás a lógica simplificada do “só contratar frete” e avançando para um modelo de gestão do comércio exterior com estratégia, visibilidade e prevenção. Esse movimento é acelerado pela digitalização, pela volatilidade global e por um cenário de preços e rotas menos previsíveis.Ao mesmo tempo, o setor enfrenta contradições da demanda por rapidez, controle e dados cresce, mas ainda há decisões guiadas por custo imediato, mesmo quando o risco operacional e financeiro é alto.
Por fim, a tendência mais consistente é tratar importação e exportação como um processo de ponta a ponta, com dados corretos, compliance fortalecido e tecnologia aplicada à decisão. Em um “novo normal” de incerteza, planejamento e inteligência deixam de ser diferenciais e passam a ser o mínimo esperado para operar com segurança e competitividade.
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