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Consultoria em NR-1: riscos psicossociais colocam saúde mental e gestão no centro das empresas

A discussão sobre consultoria em NR-1 ganhou espaço nas empresas à medida que os riscos psicossociais passaram a exigir uma análise mais estruturada do ambiente de trabalho. Pressão excessiva, assédio, problemas de liderança, sobrecarga e falhas na organização do trabalho deixam de ser questões tratadas apenas de maneira subjetiva e passam a integrar uma discussão mais ampla sobre gerenciamento de riscos ocupacionais. O ponto central é olhar para as condições oferecidas pela organização, e não diagnosticar individualmente os trabalhadores.

O tema foi discutido em entrevista disponível no podcast Conexões para Crescer, do oHub, com Carla Galo, palestrante comportamental e fundadora da GDF Soluções, e Graziele Piva, psicanalista e CEO da Youniq RH. Ao longo da conversa, as especialistas abordaram os riscos psicossociais, o papel das lideranças, a necessidade de diagnóstico e monitoramento e os desafios enfrentados principalmente por pequenas e médias empresas para transformar as exigências relacionadas à NR-1 em ações concretas.

A adequação, segundo as especialistas, precisa começar pela compreensão da realidade de cada organização. Isso significa abandonar a ideia de que uma ação pontual de saúde mental será suficiente e avançar para mecanismos capazes de identificar riscos, registrar práticas e acompanhar resultados. “O passo é fazer o mapeamento do risco psicossocial”, afirma Graziele. Carla reforça a importância desse diagnóstico ao defender que as empresas utilizem questionários e outros mecanismos para compreender efetivamente como está seu ambiente de trabalho.

Consultoria em NR-1 começa pelo mapeamento dos riscos psicossociais

Um dos principais pontos destacados na entrevista é a diferença entre cuidar da saúde mental individual e avaliar fatores relacionados ao próprio trabalho. “A NR veio tratar do ambiente e do clima organizacional”, explica Carla. Essa distinção é importante porque desloca a discussão de uma eventual condição pessoal do trabalhador para os fatores ocupacionais que podem representar riscos, exigindo das organizações uma análise mais estruturada das condições em que as atividades são realizadas.

O primeiro passo, portanto, é transformar percepções em informações que possam orientar decisões. Segundo as entrevistadas, o mapeamento permite compreender a situação da população da empresa antes da definição das ações. Graziele chama atenção para o fato de que existem tanto organizações com problemas relevantes quanto ambientes considerados saudáveis. Por isso, aplicar uma solução padronizada antes de conhecer a realidade interna pode levar a iniciativas desconectadas das necessidades efetivas dos trabalhadores.

Esse diagnóstico também precisa considerar as particularidades de cada negócio. Tamanho da organização, atividade econômica, características da população, cultura e condições específicas de trabalho interferem na avaliação. “Não existe receita de bolo. Claro que existe metodologia, mas é muito diferente de receita de bolo pronta”, afirma Graziele. Para ela, boas práticas podem ser adotadas por empresas de diferentes portes, desde que exista sensibilidade para compreender o segmento e o contexto no qual aquela população está inserida.

NR-1 exige integração entre liderança, RH e segurança do trabalho

A gestão dos riscos psicossociais também amplia a necessidade de integração entre diferentes áreas. Durante a entrevista, as especialistas discutem a participação de RH, saúde e segurança do trabalho, ergonomia e gestores no processo. Na visão de Graziele, atribuir toda a responsabilidade a um único departamento é insuficiente. “Eu acredito que muito mais do que um ou outro fazer melhor é a ação em conjunto”, afirma.

Dentro dessa estrutura, as lideranças ocupam uma posição especialmente relevante, já que práticas de gestão podem influenciar diretamente a experiência cotidiana das equipes. Pressão excessiva e comportamentos agressivos, por exemplo, não deveriam ser naturalizados como instrumentos necessários para alcançar produtividade. Carla ressalta que é possível manter resultados sem recorrer a esse modelo e defende a preparação dos gestores para compreender que “as empresas podem sim funcionar sem essa pressão excessiva” e que a segurança psicológica precisa fazer parte da discussão.

Graziele também defende que mudanças culturais comecem pela liderança. “Todo treinamento, toda a parte de cultura precisa começar pela liderança”, afirma. A preparação dos gestores se torna ainda mais relevante diante de um mercado de trabalho no qual diferentes gerações convivem simultaneamente e apresentam expectativas distintas em relação à carreira, qualidade de vida e relações profissionais. Para as empresas, o desafio passa a ser conciliar desempenho e resultados com formas de gestão compatíveis com essa nova realidade.

Consultoria em NR-1 pode ajudar PMEs a estruturar a adequação

Para pequenas e médias empresas, a dificuldade pode começar antes mesmo da implantação das medidas. Muitas não contam com uma estrutura permanente de RH ou com profissionais internos especializados em segurança do trabalho, enquanto outras concentram funções administrativas em departamentos pessoais ou fornecedores externos. Graziele aponta dois obstáculos recorrentes nesse cenário: a falta de conscientização sobre a necessidade de agir e a dificuldade de entender por onde começar.

É nesse contexto que a consultoria em NR-1 aparece como uma alternativa para empresas que precisam de conhecimento especializado sem necessariamente montar, de imediato, uma equipe interna completa. “Eu acredito que o caminho mais acessível seja a busca pelas consultorias, porque você não precisa formar um time completo e aumentar sua folha num primeiro momento”, afirma Graziele. A recomendação apresentada na entrevista é buscar profissionais com qualificação técnica e domínio do tema para orientar esse processo.

O trabalho, entretanto, não termina no diagnóstico. Registrar ações, acompanhar indicadores e mensurar resultados são etapas importantes para verificar se as medidas adotadas estão produzindo mudanças. Carla destaca que algumas empresas já desenvolvem boas práticas, mas não possuem registros ou formas de medir seus efeitos. “Não adianta só ter discurso, não adianta nem só ter prática se essa prática não for medida, se essa prática não for registrada”, afirma. A análise de dados, portanto, passa a ajudar tanto na identificação dos riscos quanto no acompanhamento das medidas adotadas.

Conclusão

A discussão sobre consultoria em NR-1 mostra que a gestão dos riscos psicossociais vai além de ações isoladas de bem-estar ou palestras sobre saúde mental. O processo envolve diagnóstico, planejamento, participação das lideranças, integração entre áreas e acompanhamento dos resultados. A abordagem segue a estrutura jornalística do artigo de referência, que parte de uma transformação do mercado, apresenta seus impactos e utiliza as falas dos entrevistados para aprofundar os principais desafios do tema.

Quando esse trabalho é incorporado à gestão, seus efeitos podem ultrapassar o atendimento às exigências relacionadas à segurança e saúde ocupacional. Graziele relaciona ambientes mais saudáveis à redução de turnover e afastamentos, ao menor impacto sobre despesas associadas à rotatividade e a um maior engajamento dos profissionais. Na perspectiva dos trabalhadores, ela também destaca o sentimento de reconhecimento e pertencimento: “A gente quer ser visto”. Isso não elimina responsabilidades individuais, mas pressupõe maior clareza sobre o papel da organização e o papel de cada profissional.

Para as empresas, especialmente as PMEs, o desafio está em transformar um assunto percebido inicialmente como complexo em um processo estruturado e mensurável. Começar pelo diagnóstico, compreender os riscos específicos da atividade, preparar lideranças, registrar ações e acompanhar indicadores são caminhos destacados pelas especialistas. Como resume Graziele, “boas práticas cabem em qualquer tamanho de empresa”, uma perspectiva que coloca a NR-1 não apenas no campo das obrigações, mas também no debate sobre como construir ambientes de trabalho mais seguros, sustentáveis e produtivos.

Sobre Luiza Guimarães

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