Entenda como o mercado de eventos corporativos evoluiu nos últimos anos, quais desafios estão no radar das empresas e como tecnologia, segurança e sustentabilidade entram no planejamento sem perder o foco no que realmente gera impacto.Nos últimos cinco anos, o setor foi pressionado por mudanças rápidas: pandemia, digitalização acelerada, custos de produção mais altos e expectativas crescentes do público.
Nesse cenário, durante participação no podcast “Conexões para Crescer”, do oHub, a fundadora da Ponto X de Eventos, Renata Lopes, resume a virada de chave para se reinventar e realizar trabalhos com sucesso e qualidade.
O mercado depois da reinvenção: menos “grandes ideias”, mais escuta ativa
A transformação mais relevante, segundo Lopes, não foi apenas de formato presencial, híbrido, digital, mas de mentalidade. “A diferença está em como profissionais e marcas passaram a melhor utilizar as ferramentas e as possibilidades que o mercado oferece, entendendo que o valor não nasce necessariamente de uma ideia grandiosa, e sim de uma leitura correta do contexto”.
Essa leitura começa na escuta. Renata reforça que o diferencial está em enxergar as oportunidades de conexão a partir de uma escuta ativa, entendendo a necessidade real do cliente e do público. Em outras palavras: o evento deixa de ser uma entrega padrão e passa a ser uma solução desenhada para um objetivo específico.
Na prática, isso muda o briefing e muda a régua do que é sucesso. Em vez de perseguir tendências por tendência, o desafio é traduzir um objetivo, seja relacionamento, cultura, vendas, marca empregadora e/ou liderança, em uma experiência coerente, viável e memorável, especialmente num ambiente onde as expectativas aumentaram e a tolerância ao “mais do mesmo” caiu.
Experiência de verdade: o que “toca o coração” e vira lembrança
Quando fala sobre impacto, Renata volta sempre ao mesmo ponto sobre como conseguir tocar o coração das pessoas. E ela faz questão de ampliar o significado. “Não se trata apenas de emoção, mas de provocar uma mudança de percepção, virar a chave que faça aquela experiência se destacar”.
É por isso que, para além de itens clássicos como comida, música e ambiente, ela provoca a pergunta que muitas empresas evitam: “o que vai fazer a diferença nessa percepção do evento?”. A resposta, segundo ela, precisa estar conectada ao objetivo do evento e ao que aquela audiência valoriza o colaborador, cliente, liderança, parceiros, comunidade.
Essa lógica também ajuda a entender por que endomarketing e eventos internos ganharam tanta força. Renata associa esse crescimento à busca por experiências que reforcem o pertencimento, reconhecimento e conexão humana. E isso explica por que ações simples podem vencer ações caras porque quando existe intenção clara, coerência e cuidado no detalhe, a experiência parece ser personalizada e não para todos.
Tecnologia, IA, segurança e ESG: quando tendência vira operação
No campo da tecnologia, Renata destaca usos que ajudam a organizar e enriquecer a jornada do participante, como QR Code e NFC, permitindo camadas de conteúdo e atualizações sem depender de materiais impressos. “A lógica é escolher a ferramenta que melhor completa a experiência e não o contrário”, explica.
Sobre a IA (Inteligência Artificial), Lopes faz uma distinção importante. “Na criação, ela é limitada, porque nada substitui as nossas pequenas ideias”. Ela afirma que já no planejamento, documentação e mensuração, a IA pode ganhar espaço por dar velocidade e organização. Renata alerta para um risco real que é a interpretação literal e sem critério. Ela cita um caso em que um cliente usou IA como parâmetro de orçamento e concluiu algo irreal.
Na operação, Renata é enfática sobre itens que não deveriam ser negociados: segurança, acessibilidade, rotas de circulação, instalações elétricas, controle de acesso e exigências legais. Em sua visão, isso precisa ser tratado com seriedade desde o orçamento, porque muitas marcas “esquecem” de prever esses custos e questionam depois.
Conclusão
Eventos corporativos ficaram mais exigentes porque as pessoas ficaram mais exigentes. Depois de anos de reinvenção, o impacto deixou de depender de um grande truque e passou a depender de coerência: objetivo claro, escuta ativa e escolhas que fazem sentido para aquela audiência.
Ao mesmo tempo, o setor opera sob pressões práticas, como orçamento, prazos curtos, complexidade logística, e isso pede maturidade na construção do briefing e na tomada de decisão. Como Renata resume, o orçamento sempre vai ser desafio, e o trabalho ganha valor quando traduz limitações em soluções viáveis sem perder qualidade de experiência.
Por fim, tecnologia, IA, segurança, acessibilidade e sustentabilidade não são “enfeites” de apresentação: são pilares de execução. Quando entram cedo no planejamento e são conectados ao propósito do evento, deixam de ser custo percebido e passam a ser parte do que torna a experiência melhor e, sobretudo, lembrada.
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