O Modelo de inventário de riscos é o que muita PME procura quando precisa sair do zero no PGR e organizar a gestão de SST sem ter um SESMT estruturado.
Quando a equipe interna não tem essa capacidade, Consultorias em NR-1 são uma alternativa direta para estruturar o inventário com método e segurança técnica.
O problema é que, sem método, o inventário vira uma planilha genérica, cheia de suposições, que não ajuda você a decidir o que priorizar.
Neste guia, você vai ver um template com os campos essenciais e um passo a passo prático para preencher com base em evidências, como observação, histórico, registros, medições e entrevistas. Assim, você reduz subjetividade e ganha consistência nas avaliações.
Neste guia, você vai encontrar:
- Quais campos o inventário precisa ter (template)
- Como preencher cada campo com evidência, não opinião
- Como padronizar critérios de probabilidade e severidade
- Como validar com liderança e trabalhadores
- CTA para download do template
O que é inventário de riscos e por que ele precisa ser objetivo?
O inventário de riscos é o registro estruturado dos perigos e dos riscos ocupacionais associados às atividades da empresa. Ele organiza o que pode causar dano, quem está exposto, qual a possível consequência e quais controles existem ou precisam ser implantados.
Quando o inventário é objetivo, ele vira uma ferramenta de gestão. Em outras palavras, ele deixa de ser “papel” e passa a orientar prioridades, prazos, responsáveis e investimentos.
Uma boa regra prática para se alguém de fora ler seu inventário, conseguir entender onde está o risco, como ele acontece e o que será feito para reduzir.
Modelo de inventário de riscos (template): campos e como preencher
Você pode usar o modelo em Excel ou Google Sheets.
O mais importante é manter campos padronizados e orientar o preenchimento para evitar interpretações diferentes entre áreas.
| Campo | O que entra | Como preencher sem achismo |
|---|---|---|
| Setor/Área | Local da atividade | Use o mesmo nome do organograma ou mapa de áreas |
| Atividade/Tarefa | O que é feito | Descreva no verbo: “cortar”, “movimentar”, “operar” |
| Perigo | Fonte do dano | Ex.: parte móvel, eletricidade, ruído, agente químico |
| Risco (dano) | Consequência possível | Ex.: corte, choque, perda auditiva, dermatite |
| Expostos | Quem e quantos | Função + quantidade aproximada por turno |
| Fontes de evidência | De onde veio a informação | Marque: observação, registros, histórico, entrevistas, medições |
| Probabilidade | Escala 1 a 5 | Baseie em frequência real, histórico e condições de controle |
| Severidade | Escala 1 a 5 | Classifique pelo pior dano plausível, não pelo “mais comum” |
| Nível de risco | P x S | Calcule automático na planilha para evitar erro manual |
| Controles existentes | O que já reduz o risco | Liste controles reais: EPC, procedimento, treinamento, EPI |
| Ações necessárias | O que falta fazer | Escreva ação objetiva: “instalar”, “substituir”, “sinalizar” |
| Responsável | Quem executa | Nome ou cargo com poder de decisão |
| Prazo | Quando entrega | Use data (dia/mês/ano) e evite “em breve” |
| Status | Andamento | Padrão simples: “não iniciado”, “em andamento”, “concluído” |
Se você tiver que escolher poucos campos para começar, priorize: atividade, perigo, dano, expostos, probabilidade, severidade, controles e plano de ação. O resto ajuda a governança.
Como preencher o inventário com evidências (sem “achismo”)
Para reduzir subjetividade, o inventário precisa de fontes de evidência. Assim, quando alguém questionar um risco “alto” ou “baixo”, terá explicação objetiva e direta.
As principais fontes são observação em campo, histórico de incidentes, registros internos, medições e entrevistas.
1) Observação em campo (do jeito certo)
Visite o local e observe a atividade como ela acontece de verdade.
Nesse sentido, evite basear sua análise apenas em procedimentos ou como deveria ser.
- Veja postura, esforço, repetição e improvisos
- Confirme se proteções e sinalização estão presentes e funcionando
- Observe movimentação de pessoas, materiais e veículos
- Registre com fotos (se a política permitir) e anotações
Dica prática: observe em horários diferentes (início de turno, pico e final do expediente) para capturar variações.
2) Histórico de incidentes e quase-acidentes
Se já aconteceu, existe evidência de que pode acontecer de novo.
No geral, isso impacta diretamente a probabilidade de CATs e acidentes registrados, quase-acidentes e relatos de “por pouco”, afastamentos e atestados recorrentes por função, falhas de máquina, panes e manutenção corretiva.
3) Registros e documentos internos
Registros ajudam a transformar percepção em dado.
Assim, seu inventário ganha rastreabilidade com ordens de serviço, procedimentos, checklists, inspeções, treinamentos realizados, planos de manutenção e calibração.
4) Medições (quando e se necessárias)
Medições são úteis principalmente quando há agentes físicos, químicos ou dúvidas relevantes sobre exposição.
Em outras palavras, elas “tirarão a discussão do campo da opinião”.
Alguns exemplos comuns, como ruído, calor, ventilação, poeiras, vapores e agentes químicos.
Se você ainda não tem medições, registre isso como lacuna e planeje a ação com responsável e prazo.
5) Entrevistas com trabalhadores e liderança
Quem executa a tarefa enxerga risco que não aparece no papel. Do lado da liderança, você entende restrições operacionais e prioridades de produção.
Perguntas que funcionam bem:
- “Onde você já viu dar errado?”
- “Qual etapa tem mais improviso ou pressão de tempo?”
- “O que muda quando a demanda aumenta?”
- “Qual controle atrapalha e por isso não é usado?”
Como padronizar probabilidade e severidade
Padronizar critérios é o que evita que um gestor marque “baixo” e outro marque “alto” para a mesma situação. Você define escalas simples, aplica em todos os setores e treina quem vai preencher.
Escala exemplo de probabilidade (1 a 5)
| Nível | Definição prática | Exemplo de evidência |
|---|---|---|
| 1 | Raro | Sem histórico; controles robustos; pouca exposição |
| 2 | Eventual | Exposição ocasional; poucos desvios observados |
| 3 | Possível | Ocorre algumas vezes ao ano; há falhas recorrentes |
| 4 | Provável | Ocorre com frequência; controles falham ou não são usados |
| 5 | Muito provável | Ocorre regularmente; quase-acidentes recorrentes |
Escala exemplo de severidade (1 a 5)
| Nível | Definição prática | Exemplo |
|---|---|---|
| 1 | Leve | Sem afastamento, primeiros socorros |
| 2 | Moderada | Afastamento curto, lesão tratável |
| 3 | Significativa | Lesão com impacto funcional temporário |
| 4 | Grave | Incapacidade, fratura grave, internação |
| 5 | Crítica | Óbito ou incapacidade permanente |
Depois, você calcula: Nível de risco = Probabilidade x Severidade.
A planilha deve fazer isso automaticamente.
Para facilitar decisão, você pode classificar faixas:
- 1 a 5: Baixo
- 6 a 10: Médio
- 11 a 15: Alto
- 16 a 25: Crítico
Assim, a priorização vira consequência do método, não de disputa de opinião.
Como validar o inventário com liderança e trabalhadores
Inventário bom é inventário validado.
Validação evita dois problemas comuns que são risco subestimado por pressão operacional e risco superestimado por falta de contexto.
Um fluxo simples:
- 1) Pré-validação interna: revise consistência de critérios (probabilidade e severidade) entre setores
- 2) Validação com liderança: confirme viabilidade de prazos, responsáveis e recursos
- 3) Validação com trabalhadores: confirme se a descrição da tarefa e dos controles bate com a realidade
- 4) Registro de decisões: anote o que mudou e o motivo da mudança(rastreabilidade)
Dica prática: para cada risco alto/crítico, peça que a liderança aprove explicitamente o plano de ação com responsável e prazo. Estas condições dão força para execução da aprovação.
Erros comuns e como evitá-los
Se você quer um inventário enxuto e correto, é preciso evitar erros comuns.
Copiar e colar inventário genérico sem observar a operação, criando assim um documento frágil.
Não registrar evidências porque sem fonte, tudo vira debate.
Para evitar que a matriz perca sentido, é preciso haver padronização, sem escalas diferentes por setor.
Listar EPI e/ou procedimentos que não são usados e não colaboram para diminuir riscos.
Não indicar responsável para plano de ação e estipular prazos faz com que o inventário não seja executado.
Checklist rápido: inventário pronto para usar?
- Os campos estão padronizados e claros?
- As fontes de evidência estão registradas por risco?
- Probabilidade e severidade seguem a mesma escala em toda a empresa?
- O nível de risco é calculado automaticamente?
- Controles existentes são reais e verificáveis?
- Toda ação tem responsável, prazo e status?
- Liderança e trabalhadores validaram o conteúdo?
Quem deve preencher o inventário de riscos em uma PME sem SESMT?
Idealmente, alguém com conhecimento em SST conduz o processo, mas o inventário fica muito mais correto quando envolve liderança e trabalhadores. Assim, você combina visão técnica, realidade do trabalho e viabilidade de execução.
Como evitar que o inventário vire uma lista genérica?
Descreva tarefas reais, registre fontes de evidência, como observação, histórico, registros, medições, entrevistas e padronize as escalas de probabilidade e severidade. Em outras palavras, cada classificação precisa ter um “porquê” rastreável.
Preciso de medições para todos os riscos?
Não. Muitas situações podem ser registradas por observação e registros. Medições ajudam quando há agentes físicos/químicos ou quando existe dúvida relevante sobre exposição. Se você não tem medição, registre a lacuna e coloque como ação com responsável e prazo.
Qual escala de probabilidade e severidade devo usar?
Use uma escala simples (1 a 5) com definições práticas. O importante é documentar o critério e aplicar igual em toda a empresa. No geral, consistência vale mais do que “perfeição” inicial.
Como validar o inventário com a liderança sem travar o processo?
Leve uma visão por prioridade. Foque primeiro em riscos alto/crítico e no plano de ação (responsável, prazo, recursos). Depois, valide o restante por área. Assim, você mantém velocidade sem perder governança.
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