A matriz de risco PGR é a base técnica da avaliação de riscos ocupacionais.
É por meio dela que você prioriza ações, define controles e sustenta decisões diante de auditorias e fiscalizações.
Na prática, é comum ter dúvidas sobre qual escala utilizar ou como justificar um risco como alto, médio ou baixo sem parecer subjetivo, por exemplo.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender como estruturar uma metodologia clara, objetiva e defensável, desde a escolha da escala até a definição do risco residual.
O que é a matriz de risco no PGR e para que ela serve?
A matriz de risco cruza dois fatores que são probabilidade e severidade.
O objetivo é classificar o nível de risco de cada perigo identificado no PGR.
Em outras palavras, ela responde a duas perguntas centrais: qual é a chance de o evento acontecer e qual será o impacto caso aconteça?
Com isso, você consegue priorizar medidas preventivas, justificar investimentos em controles e demonstrar critério técnico na gestão de SST. No geral, uma matriz bem estruturada reduz subjetividade e fortalece a governança de riscos.
Qual escala usar: 3×3, 4×4 ou 5×5?
Não existe um modelo obrigatório.
A escolha deve considerar porte da empresa, complexidade das operações e maturidade da gestão.
A matriz 3×3 é mais simples e indicada para pequenas empresas ou ambientes com baixa variabilidade de riscos.
Ela trabalha com três níveis de probabilidade e três de severidade. É fácil de aplicar, mas tem menor poder de diferenciação.
A matriz 4×4 oferece equilíbrio.
Permite maior detalhamento sem tornar o processo excessivamente complexo e, para muitas organizações, é a opção mais adequada.
Já a matriz 5×5 é recomendada para ambientes industriais, operações críticas ou empresas com alto nível de exigência em auditorias. Ela aumenta a precisão, mas exige critérios muito bem definidos para evitar distorções.
Se a empresa ainda está amadurecendo sua gestão de riscos, começar com 4×4 costuma ser uma decisão técnica consistente.
Como definir critérios objetivos de probabilidade?
A probabilidade não deve ser baseada em percepção pessoal. Ela precisa estar associada a dados verificáveis.
Você pode utilizar como referência o histórico de acidentes e incidentes registro de quase-acidentes, frequência de execução da tarefa, tempo de exposição ao perigo e falhas operacionais registradas.
Em uma matriz 4×4, por exemplo, é possível classificar como “Rara” uma situação sem registro nos últimos cinco anos e como “Muito provável” aquela que ocorre mais de uma vez por ano.
Quanto mais rastreável for o critério adotado, mais defensável será o PGR.
Como definir critérios objetivos de severidade?
A severidade mede o impacto do dano caso o evento ocorra.
Ela deve estar vinculada a consequências concretas e mensuráveis. Em termos práticos, você pode estruturar os níveis considerando:
- Lesão sem afastamento (primeiros socorros);
- Afastamento de curta duração;
- Afastamento superior a 15 dias;
- Incapacidade permanente ou óbito.
Dependendo da realidade da empresa, também é possível incluir impactos ambientais, financeiros ou legais.
O importante é que a descrição de cada nível seja objetiva e padronizada.
Severidade não pode ser interpretativa. Ela precisa estar claramente definida no documento.
Como classificar risco baixo, médio ou alto?
O método mais utilizado é a multiplicação: Risco = Probabilidade x Severidade.
Em uma matriz 4×4, por exemplo, resultados entre 1 e 4 podem ser classificados como risco baixo, de 5 a 8 como médio e acima disso como alto. O essencial é que esses intervalos estejam formalmente definidos no PGR.
Essa padronização evita questionamentos e garante coerência na tomada de decisão.
Como tratar risco inerente e risco residual?
Um ponto crítico é diferenciar risco antes e depois dos controles.
O risco inerente é aquele avaliado sem considerar medidas existentes.
Já o risco residual é o resultado após a implementação de controles, como EPC, EPI, treinamentos e procedimentos.
Essa separação demonstra a efetividade das ações adotadas e reforça o caráter gerencial do PGR.
Na maioria dos casos, os controles reduzem a probabilidade. A severidade tende a permanecer vinculada ao dano potencial.
Exemplo aplicado: manutenção com trabalho em altura
Imagine uma atividade de manutenção em telhado industrial a oito metros de altura. O perigo identificado é a queda do trabalhador.
Na avaliação do risco inerente, a atividade é recorrente, o que pode enquadrar a probabilidade como nível 3. A severidade, considerando risco de óbito, pode ser nível 4. O resultado é um risco alto.
Após implantação de linha de vida certificada, treinamento conforme NR-35, permissão de trabalho e supervisão, a probabilidade pode cair para nível 2. A severidade permanece a mesma. O risco residual passa a ser médio.
Perceba que a lógica é técnica e documentada. É isso que torna a matriz consistente e auditável.
Conclusão prática
Uma boa matriz de risco PGR não é a mais complexa, mas a mais coerente com a realidade da empresa. Ela precisa ter critérios claros, padronização interna e documentação consistente.
Em termos práticos, você deve:
- Escolher a escala compatível com o nível de maturidade da organização;
- Definir critérios objetivos para probabilidade e severidade;
- Diferenciar risco inerente e residual;
- Aplicar o mesmo padrão em toda a empresa.
Assim, o PGR deixa de ser apenas uma exigência legal e passa a ser uma ferramenta estratégica de gestão de riscos.
FAQ
Qual matriz é mais indicada para o PGR?
Para a maioria das empresas, a matriz 4×4 oferece equilíbrio entre simplicidade e capacidade de diferenciação dos riscos.
Posso usar apenas “baixo, médio e alto”?
Pode, desde que cada classificação esteja vinculada a critérios objetivos e documentados.
A severidade pode diminuir após controles?
Normalmente não. Os controles reduzem a probabilidade. A severidade permanece associada ao dano potencial.
É obrigatório usar a fórmula probabilidade x severidade?
Não há fórmula única obrigatória, mas a multiplicação é amplamente aceita por sua clareza e facilidade de justificativa técnica.
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